Terceira do singular

18out08

Ela é só uma garota, ela tem uma família linda, uma mãe dedicada, um pai carinhoso, uma madrastra boazinha e um irmão fofo. Ela tem a avó divertida, primas legais e um tio engraçado. Ela tem os melhores amigos e os professores mais foda. Ela até gosta do cachorro fedido da prima, ela tem uma patroa maravilhosa, e pares de all star que ela ama.
Ela tem uma tv pequenininha e um computador super velho, que fazem parte do quarto, o mundo dela. Ela tem nãoseiquantos bichinhos de pelúcia, vários cds velhos, milhares de ingressos de cinema, notas de locações de filmes, papéis de balas, bombons e chocolates, cartinhas das amigas.
Ela tem retalhos e linhas pros momentos que acha que puxou a avó e que sabe costurar. Ela tem lápis de cor e giz de cera pra quando quer desenhar, ela tem caneta e papel sempre a mão pra quando quer escrever, embora tenha usado mais o teclado e o notepad pra isso.
Ela tem dezessete anos. E tem tudo que sempre quis ter.
Ela está vendo a hora de seus sonhos se tornarem realidade se aproximar.
Mas ela tem medo, muito medo.
Ela tem o cabelo pra cortar sempre que quer mudar, tem as paredes pra pintar, tem móveis pra trocar de lugar.
Ela adora mudanças, mas quando é ela quem decide que elas devem acontecer, e do jeito que ela quer que aconteçam.
Ela tem muito medo de perder isso tudo que ela conseguiu… de decepcionar todo mundo, de não conseguir mais nada.
E ela odeia ver que está fraquejando, se sentir covarde.
As pessoas acham que ela é forte, talvez ninguém veja o quão fraca e frágil ela é.
E ela quer realmente tentar, mas é tão difícil aceitar isso tudo.
As mudanças dela, dos amigos, da família, da vida.
A vida tem estado diferente, pra todo mundo.

Talvez a mãe dela esteja certa, talvez seja mesmo muito cedo. Mas, e se depois for tarde demais?

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