Despedida

15abr08
Eu sempre fui uma pessoa que encara bem a morte. Sei que todo mundo morre, cachorro, parentes, avós, avôs, eu e sei até que minha mãe vai morrer.

Primeiro, foram dez meses de sofrimento… Agora, um dia só.

Meu avô [pai da minha mãe] teve dois AVCs, que somados com a disritmia, a diabetes e a hipertensão, acabaram por vencer o homem mais alegre que eu conheci em toda a minha vida.
Ele ficou doente por quase um ano. Entre indas e vindas do hospital, eu via o estado dele ficar cada vez pior. Mas sempre, enquanto ele ainda conseguia falar ou lembrava das pessoas com facilidade, ele continuava fazendo os gracejos e as piadinhas que sempre me fizeram rir.
Mas, no dia 27 de novembro de 2004, ele se foi.
Lembro de cada detalhe… minha avó dizendo que ia pro hospital pra que meu tio pudesse ir pra casa dormir. Minha mãe trabalhando… e eu aqui, com duas amigas, falando bobagens… aí o telefone tocou. Era meu tio:
“Patrícia, cadê sua vó?”
“Ela já foi tio.”
“Ah. Seu avô morreu.”
“Hum…”
“Tchau”
“Tchau tio.”
Frio assim. Simples assim. Liguei pra minha mãe, depois pro meu pai. Quando ele chegou as meninas foram embora… e eu aqui, firme. De repente a casa tava cheia e eu querendo ficar sozinha… Eles disseram que levariam meu avô pra Ituiutaba, a cidade natal dele. Foi aí que eu saquei que não queria ver meu avô morto. Fui pra casa do meu pai e fiquei lá até minha mãe voltar de Ituiutaba.

Hoje foi diferente… liguei pro meu pai pra saber porque ele não tinha colocado o dinheiro pra pagar a escola – já que o combinado é dia 10 – e ele me disse que meu avô tava no hospital. Sei lá, eu sabia que ele tava doente, mas não pensei que fosse assim. Ele tinha que fazer uma cirurgia, mas não pensei que fosse pra tão logo. Fazia uns 4 meses que eu não via meu avô, ou mais, não sei.
Eu nunca fui muito próxima dele… não concordo com o jeito que ele criou os filhos, e eu sou do tipo que só me esforço pra estar presente na vida das pessoas quando elas se fazem presentes na minha. Ele nunca esteve, então, também, nunca me preocupei muito.
Falei com meu pai de novo, ele disse que meu avô precisava fazer a cirurgia, mas que não tinha condições clínicas pra isso. Era rezar pra ele melhorar a tempo. Não deu.
Lá pelas oito horas, minha tia liga dizendo que ele morreu.
E eu não quero ir vê-lo também.

Não que eu não goste dele, ou daquele, até porque to muito mais triste hoje do que fiquei quando o primeiro morreu [demorei quase um ano pra chorar pelo meu avô, e hoje, eu estou chorando.]
Eu só não quero ter que lembrar dessas pessoas deitadas em um caixão, mortas, frias, imóveis.
Eu quero poder ter só lembranças boas na minha memória.

Pode parecer meio clichê, mas vai com Deus, vô. Fica em Paz.

Vô Vicente, sinto muito a sua falta.
Vô Belchior, sentia a sua também, e agora vai aumentar.

Amo vocês.

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